segunda, 20 outubro 2014.

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Remontagem das próteses totais em articulador

 

Remontagem das próteses totais em articulador

Leonardo MARCHINI
Mestre pela FOSJC-UNESP
Prof. Aux. de Prótese Clínica da UMC

 

Carlos Fernando DAMIÃO
Mestrando pela UNITAU
Prof. de Prótese Total e Oclusão da UNITAU

Jarbas Francisco Fernandes dos SANTOS
Mestre e Doutorando pela UNITAU
Prof. Assist. de Prótese da UNITAU, UNIVAP e UMC

Vicente de Paula Prisco da CUNHA
Mestre e Doutor pela UNITAU
Prof. Dr. Responsável pelas disciplinas de Prótese Total da UNITAU e UNIVAP

Leonardo Marchini
Tel.: (12) 343-2360
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SINOPSE

A obtenção de uma oclusão balanceada quando da montagem dos dentes em cera pode ser perdida durante os procedimentos laboratoriais de acrilização das próteses totais. Deste modo, é comum a necessidade de realizar ajustes oclusais após a entrega das próteses totais ao paciente. Muito embora pequenos ajustes possam ser realizado diretamente na boca, a remontagem das próteses em articulador semi-ajustável para a realização dos ajustes oclusais permite uma melhor visualização das interferências, favorecendo a obtenção de uma oclusão mais harmônica. Portanto, o presente trabalho tem como objetivo descrever uma técnica para remontagem das próteses totais em articulador.

INTRODUÇÃO

Durante a confecção das próteses totais, busca-se estabelecer um esquema oclusal que harmonize com as demais estruturas participantes do sistema estomatognático do paciente (RUFINO, 1984). Para tanto, são realizados procedimentos como o desgaste de Paterson (PATERSON, 1923 e 1928), montagem dos modelos em articulador semi-ajustável, cuidadosa montagem dos dentes artificiais estabelecendo uma oclusão balanceada e prova do esquema oclusal na boca antes da acrilização.

Utilizando os procedimentos descritos acima, contatos dentários múltiplos, simultâneos e bilaterais são obtidos com os dentes montados em cera. No entanto, esta condição é geralmente perdida após a acrilização das próteses (POMILIO et al., 1996).

Desta forma, é necessário realizar ajustes oclusais nas próteses totais após a acrilização, com o intuito de restabelecer a oclusão balanceada e harmonizar a prótese com os demais componentes do sistema estomatognático do paciente (ANSARI, 1996).

Vários autores (KHAN & MORRIS, 1983; BARRETT, 1985; HOCHSTEDLER & SHANNON, 1995) recomendam a remontagem das próteses totais em articulador para a realização dos ajustes oclusais necessários.

HOLT (1977) acredita que a remontagem traz como benefícios mais conforto para os pacientes, menor reabsorção óssea e maior efetividade das próteses. FIRTELL et al. (1987) confirmaram em trabalho experimental com 50 pacientes que este procedimento reduz a incidência de desconforto, preserva a força oclusal e reduz as modificações oclusais decorrentes do processamento laboratorial das próteses totais.

Deste modo, o presente trabalho tem como objetivo apresentar uma técnica para remontagem das próteses totais em articulador semi ajustável.

DESCRIÇÃO DA TÉCNICA

Após os procedimentos laboratoriais de acrilização, realiza-se a checagem da adaptação da base das próteses aos rebordos alveolares do paciente, bem como as provas estética e fonética. Após a aprovação do paciente, deve ser iniciada a remontagem das próteses no articulador semi-ajustável.

O registro do arco facial é obtido com a prótese superior em posição na boca e segue os seguintes passos: inserção das ogivas do arco no meato acústico externo do paciente e aferição da distância intercondilar, que deve ser transferida para os ramos superior e inferior do articulador; estabilização do arco facial utilizando o terceiro ponto (nasium); fixação da forquilha ao arco facial mediante o aperto dos parafusos que compõem a junta universal, iniciando pelo parafuso que fixa a forquilha e alternando com o parafuso que une a junta à haste vertical do arco facial, até obter a estabilidade do conjunto na face do paciente.

A base da prótese deve então ser isolada, utilizando-se vaselina sólida, para que possa-se proceder à montagem da prótese superior no ramo superior do articulador. Neste passo, deve ser empregado gesso comum, de modo a facilitar a posterior separação entre a base e o gesso. Visando minimizar as alterações dimensionais sofridas pelo gesso comum, deve ser feita inicialmente uma coluna central de gesso para fixação da base da prótese à placa de montagem do articulador, aguarda-se a presa final e aplica-se gesso externamente para complementar a união.

Os registros da relação central, lateralidades direita e esquerda e protrusiva devem ser obtidos mediante o uso de cera 7 em lâminas preparada para esta finalidade, com o intuito de realizar respectivamente a montagem da prótese inferior no articulador e a individualização dos ângulos de Bennett e guias condilares.

A base da prótese inferior deve ser isolada da mesma forma que a prótese superior e recebe, na área que corresponde à localização da língua, um suporte para o gesso confeccionado com uma base de cera utilidade unida às vertentes linguais da prótese recoberta por alginato. Tal suporte tem como objetivo facilitar a união da prótese total mandibular ao ramo inferior com gesso, utilizando o registro da relação central previamente obtido na boca do paciente.

Antes da união da prótese mandibular ao ramo inferior, o pino guia incisal deve ser fixado 2 mm acima da marca padrão, de modo a compensar a espessura do registro de cera, permitindo aos ramos do articulador assumirem uma posição paralela entre si.

Após a presa final do gesso, remove-se o pino guia incisal para proceder à individualização do articulador. Inicialmente, interpõem-se entre a prótese superior e inferior o registro da lateralidade direita, permitindo a obtenção do ângulo de Bennett esquerdo. Em seguida, utilizando o registro da lateralidade esquerda, marca-se o ângulo de Bennett direito.

Com o registro das lateralidades, é possível obter também a inclinação das cavidades glenóides, uma vez que o movimento que origina os registros é na realidade latero-protrusivo. No entanto, o registro do movimento protrusivo permite confirmar as inclinações da cavidade glenóide previamente obtidos .

Uma visualização de baixo para cima das próteses montadas em articulador e posicionadas em relação central permite verificar que não há o engrenamento dental desejável, previamente obtido durante a montagem dos dentes em cera.

Os contatos interoclusais presentes nas próteses montadas no articulador devem ser conferidos com os contatos obtidos na boca do paciente, tanto em cêntrica como em excursão.

Após o ajuste da oclusão em cêntrica, realizado utilizando desgaste seletivo, mediante marcação com papel carbono fino, é possível obter uma intercuspidação mais próxima do ideal ainda na posição de relação central.

Os movimentos de lateralidade esquerda e direita também devem ser realizados em articulador e os ajustes necessários executados, de modo a obter-se contatos em grupo parcial ou total do lado de trabalho e estabilizante no lado de balanceio. No movimento protrusivo, deve ocorrer toque nos dentes anteriores e também nos dentes posteriores, sem a ocorrência do fenômeno descrito por Christensen.

As próteses ajustadas são então entregues ao paciente. Geralmente, os pacientes relatam uma melhora nos aspectos funcionais da prótese após o procedimento de remontagem, confirmando os resultados observados na literatura descrita.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Considerando a literatura revista e a técnica descrita, é possível ressaltar os pontos abaixo como mais relevantes:
1. O procedimento de remontagem das próteses em articulador semi-ajustável permite melhor visualização dos contatos oclusais interferentes, tanto em cêntrica quanto em movimentos de excursão;
2. A técnica para remontagem é simples e pode ser realizada com pouco acréscimo de tempo e custo desprezível;
3. Há uma melhora significativa nos aspectos funcionais da prótese com o procedimento de remontagem.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  1. ANSARI, I.H. Simplified clinical remount for complete dentures. J Prosthet Dent, v.76, n.3, p.321-4, 1996.

  2. BARRET, G.D. Reproducible split-cast procedure for remounting the complete denture master cast. J Prosthet Dent, v.54, n.5, p.737-40, 1985.

  3. FIRTELL, D.N. et al. The effect of clinical remount procedures on the comfort and success of complete dentures. J Prosthet Dent, v.57, n.1, p.53-7, 1987.

  4. HOCHSTEDLER, J.L.; SHANNON, J.L. A time-saving method for performing a clinical remount procedure with complete dentures. J Prosthet Dent, v.74, n.1, p.39-41, 1995.

  5. HOLT, J.E. Research on remounting procedures. J Prosthet Dent, v.38, n.3, p.338-41, 1977.

  6. KHAN, Z.; MORRIS, J.C. Remount casts for occlusal correction. J Prosthet Dent, v.49, n.3, p.445-6, 1983.

  7. PATERSON, A.H. Construction of artificial dentures. Dent Cosmos, v.65, n.7, p.679-89, July 1923.

  8. PATERSON, A.H. Influences of mandibular moviments on balanced occlusion. J Am Dent Assoc, v.15, n.6, p.1118-23, June. 1928.

  9. POMILIO, A. et al. Alterações dimensionais da prótese total - na base e nos dentes de dentaduras inferiores. RGO, v.44, n.2, p.77-9, 1996.

  10. RUFFINO, A.R. Improved occlusion anatomy of acrylic resin denture teeth. J Prothet Dent, v.52, n.2, p.300-2, Aug. 1984.